
Deixar o outro ir nem sempre é perda, pode ser também libertação de velhos hábitos e crenças. Com este intuito, Lóca traz em seu EP “Vai”, músicas que elaboram a transformação das relações a partir do conceito de tempo. O músico gaúcho radicado em Blumenau (SC) brinca com a noção de tempo em três faixas, sendo uma inédita: “Vai”, que fala de amor profundo e desapego. A canção é acompanhada por “Retorno do Dito Pródigo”, representando o passado, e “Composto de Tempo”, falando do presente. O EP tem lançamento marcado para o dia 18 de setembro (sexta-feira) nas principais plataformas de streaming.
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Em um ciclo orgânico de nascer, crescer e morrer, o EP “Vai” conta a história de alguém que retorna, convive, sorri, briga, perdoa, sorri, compreende o que lhe aconteceu e então precisa ir. Em conjunto, as três músicas representam a “inércia do movimento necessário em busca de si”, define Lóca. Em um rápido faixa-a-faixa, o músico define este conjunto como uma história que precisa de três atos para ser contada.
“O EP chega com ‘Retorno do Dito Pródigo’, tratando de perdão para desatar nós do passado e permitir que a maturidade floresça. Entre arrependimento e aceitação, a música revela que perdoar é o caminho para seguir inteiro. E assim, inteiro, caminha para ‘Composto de Tempo’, o passado ressignificado torna-se outro; o futuro se molda quando acolhemos a incerteza. A faixa traduz esse conceito de forma poética e minimalista, com jogos de palavras e um arranjo que carrega em si uma sensação de imprevisibilidade.
Depois desse mergulho psicológico, “Vai”, que encerra o EP, fala da despedida como gesto de amor: deixar ir para que o outro, e o vínculo, encontrem cura fora de um ciclo desgastado”, explica Lóca.

Acostumado a criar arranjos complexos para suas canções que beiram o experimentalismo, Lóca busca provocar introspecção e reflexão a respeito de si nas canções do novo trabalho.
“Este EP inaugura algumas novidades conceituais no quesito do arranjo. As duas primeiras faixas dão mais ênfase ao ritmo, com a bateria assumindo um protagonismo que até agora não tinha surgido em meus trabalhos. Na faixa-título, trago uma música com a letra em primeiro plano e um ciclo harmônico constante sem muitas modulações, ocorrendo uma mudança rítmica e harmônica somente no fim”, analisa o músico que também é o compositor de todas as faixas.
A trajetória de Lóca na música sempre buscou fazer uma ponte entre o alternativo e o instrumental, desta forma, em “Vai”, a música de trabalho no EP de mesmo nome, foi a primeira vez que o músico inverteu a lógica e trouxe a poesia pro centro da composição.
Sempre tive a intenção de colocar tudo de forma muito real e honesta. E quando a letra precisa estar assim em primeiro plano, também é importante que ela seja absorvida de forma mais direta e emocional. Às vezes, estar atrás de uma guitarra, ou violão, pode ser um esconderijo. Mas criar musculatura emocional suficiente pra sair desse lugar e criar confiança pra colocar a cara no mundo sem escudo também transforma a forma de escrever poesia e compor música”, finaliza o músico que, neste trabalho, também inaugura uma produção mais focada no “faça você mesmo”, mais direta sem perder qualidade lírica.
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