
A sensação de saudosismo invade os cinemas a partir desta quinta-feira (18), com uma nova aventura de Toy Story. Mas, a pergunta é: depois de quatro longas, será que Woody e seu amigos ainda têm o que é preciso para conquistar o público?
Em Toy Story 5, Woody, Buzz e seus amigos se veem diante de um novo desafio quando os brinquedos passam a disputar a atenção das crianças com dispositivos tecnológicos cada vez mais presentes em seu cotidiano. A aventura acompanha o grupo em uma jornada para compreender seu papel nesse novo mundo e impedir que a pequena Bonnie os deixe de lado.
Depois de algumas sequências que dividiram opiniões, Toy Story 5 consegue algo que parecia difícil: recuperar a sensibilidade e o encanto que fizeram dos dois primeiros filmes clássicos tão queridos. É uma animação fofa, emocionante e cheia de coração, que encontra força justamente na simples mensagem sobre amizade, imaginação e crescimento. O filme funciona quase como uma homenagem ao hábito de brincar e ao ato de ser criança. Em vários momentos, a narrativa celebra a capacidade que os brinquedos têm de ganhar vida através da imaginação infantil. Há um carinho evidente pela história da série e por tudo o que ela representou para diferentes gerações.
Os personagens continuam carismáticos, e o reencontro com figuras tão familiares traz uma dose generosa de nostalgia. Mas o filme não vive apenas do passado, ele também tenta dialogar com questões contemporâneas, especialmente a relação das crianças com a tecnologia. É justamente nesse ponto que está sua principal fragilidade. O roteiro é bastante expositivo e, em vários momentos, repetitivo ao trazer os aparelhos tecnológicos como vilões cruéis, martelando essa mensagem de forma pouco sutil. Algumas cenas parecem mais preocupadas em explicar seu tema do que em deixar a história falar por si mesma.
Felizmente, conforme a trama avança, a obra encontra um equilíbrio mais interessante. Em vez de transformar a tecnologia em vilã absoluta, a narrativa reconhece que ela faz parte da vida moderna e que o verdadeiro desafio está em conciliar novas formas de entretenimento com a criatividade, a convivência e a brincadeira tradicional. Essa mudança de perspectiva torna a mensagem mais madura e evita que a obra caia em um discurso simplista.
No fim das contas, Toy Story 5 segue firme graças ao seu enorme coração. Pode não ser perfeito, mas é uma continuação sincera, divertida e emocionalmente eficaz, que resgata parte da magia dos primeiros filmes e presta uma bela homenagem à infância, à imaginação e à importância de nunca perder completamente a capacidade de brincar.
NOTA: 4/5
Por Sophia Pereira
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