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Entre críticas ao mainstream e a vontade de fazer parte dele, VALLADA encontra sua própria identidade em "Umami"
Entre críticas ao mainstream e a vontade de fazer parte dele, VALLADA encontra sua própria identidade em "Umami"
Por Redação
31/07/2026 às 11:46

"Umami" é o quinto gosto básico do paladar humano, caracterizado pela sensação de algo saboroso, complexo, de preenchimento na boca. Para VALLADA, essa talvez seja a melhor definição para a experiência de viver de música. Existe prazer, mas também ansiedade. Tem confiança, mas ela convive de mãos dadas com a insegurança. Há o desejo de fazer parte de um mercado sem abrir mão da própria identidade. É dessa mistura de sentimentos que nasce “Umami”, primeiro álbum do artista, já disponível nas plataformas digitais e show de lançamento marcado para hoje (31).
Com produção de Jader Marques, VALLADA transformou a experiência de ser artista independente em oito faixas – três já lançadas previamente (“Alto Mar”, “Muito Prazer” e “No Varal”) e cinco inéditas (“Vendaval”, “Pão com Ovo”, “Deja Vu”, “Sarau de Bacana” e “Fica à Vontade”). Inspirado em suas próprias vivências, o disco acompanha um personagem que atravessa, em uma vida ou talvez em um único dia, um percurso de dúvidas, frustrações, encontros e reconciliações consigo mesmo. Mais do que um álbum sobre fazer música, “Umami” é um álbum sobre recuperar a autoconfiança — e, junto dela, uma certa malandragem necessária para continuar acreditando na arte e ocupar espaços.
A jornada começa em "Vendaval", faixa que não apresenta tanto protagonista, mas o contexto ao seu redor. Tudo parece estar em ebulição, grande demais, rápido demais. Diante desse cenário, o personagem se percebe pequeno, esquecível, passageiro, como alguém tentando encontrar espaço em um ambiente que parece não esperar por ele. Assim ele abre o disco: “Bem-vindo ao show da busca que me tentou, pelo sabor, pelo sabor”.
Essa insegurança atravessa "Muito Prazer", em que o artista ironiza os bastidores da música e as relações de prestígio que circulam pela cena cultural. Em meio aos cumprimentos protocolares e aos jogos de status, o personagem ainda procura reconhecer o próprio valor. É alguém que chega aos espaços querendo ser visto, mas sem acreditar completamente que pertence a eles.
Em "Pão com Ovo", o ouvinte encontra esse personagem no varejo do dia. A música fala da saudade, da ansiedade diante do tempo e da sensação de que a criatividade desapareceu justamente quando ela é mais necessária. Ao lado de "Deja Vu", forma o núcleo mais íntimo do álbum. As duas canções operam em um duplo registro: podem ser ouvidas como histórias de amor, mas revelam, ao mesmo tempo, um diálogo entre o artista e a própria música, como se o fazer artístico também fosse uma relação afetiva, sujeita a afastamentos, crises e reconciliações.
Já em "Alto Mar", faixa em parceria com Helena Peres, o conflito ganha dimensão coletiva. A faixa-manifesto coloca em primeiro plano as contradições de quem deseja viver de música sem aceitar completamente as regras do mercado. Entre mirar o mainstream e resistir a ele, VALLADA escreve sobre um artista que compreende que a realização também pode ser desgastante.
O ápice dessa inquietação é "Sarau de Bacana", quando o personagem sai de casa para encontrar o exclusivo mundo das artes, geralmente uma casa na Zona Sul carioca com vista para o Cristo Redentor. Apesar do medo de não performar à altura da festa, é nesse momento que o narrador tenta tornar o caminho mais leve, abrindo espaço para uma mudança de perspectiva. Essa virada de chave é descrita pelo PhiLL Oladele, parceiro que entra na canção quase como um super ego: “Sarau de bacana cheira a juízo mas eu tenho asas, sabiá”.
Quando chega a "No Varal", o conflito deixa de ser com o mercado e passa a ser consigo mesmo. A canção funciona como um pedido de desculpas dirigido à própria arte. Depois de tanto projetar suas frustrações para fora, ser ranzinza com o mundo ao seu redor, o personagem se pergunta se não teria se afastado justamente daquilo que o fez começar.
O percurso termina em "Fica à Vontade" em um dueto belíssimo com a cantora portuguesa Vitoria Vermelho. Mais do que um encerramento, a faixa talvez represente a resolução de suas angústias. Depois de atravessar todas essas experiências, o personagem compreende que o fazer musical envolve equilibrar todos esses pratos, “sem abrir mão”. E a música, uma vez criada, deixa de pertencer apenas a quem a escreveu, ganha o mundo, encontra outros significados e passa a existir também na experiência de quem a escuta.
Para VALLADA, esse é o verdadeiro sentido de “Umami”. "O umami é um sabor difícil de explicar. Você reconhece quando experimenta. Acho que esse disco também é assim. Ele nasceu das minhas dúvidas sobre fazer música, sobre pertencer, sobre insistir, mas foi encontrando sentido durante o caminho mesmo. A busca pelo umami é a busca pela minha confiança, pela minha própria identidade, pelo meu som”. Mais do que apresentar uma nova sonoridade, o álbum propõe uma crônica da vida artística contemporânea, em que crítica, humor, afeto e ironia coexistem.
Na noite de hoje, o artista apresenta o projeto ao vivo, pela primeira vez, no Galpão Ladeira das Artes, no Rio de Janeiro. O show contará com as participações de Helena Peres e PhiLL Oladele. A abertura do evento, às 19h, ficará a cargo de Valentim Frateschi, com participação de Lorena Moura.
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