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13 artistas mulheres ocupam a Casa de Cultura do Butantã com murais, empenas e poemas

13 artistas mulheres ocupam a Casa de Cultura do Butantã com murais, empenas e poemas

Por Redação

05/11/2026 às 08:30

Imagem de 13 artistas mulheres ocupam a Casa de Cultura do Butantã com murais, empenas e poemas

Foto: Miguel Salvatore

Aos 14 anos, Andréa Tolaini subiu ao palco da Casa de Cultura do Butantã para cantar “No Woman, No Cry” com uma banda de reggae formada por meninas da região. Décadas depois, a artista visual retorna ao mesmo espaço, agora como curadora, para ocupar suas paredes com uma criação coletiva que reúne outras mulheres e dialoga com a memória, a natureza e o território onde nasceu e cresceu.

A Ocupação de Artes Urbanas Femininas, com produção de Isabel Tell e Jhemily Garcia, reúne 13 artistas de linguagens, gerações e trajetórias diversas, que assinam murais internos, intervenções em muros externos, empenas (as grandes paredes cegas nas laterais do edifício), lambe-lambes, stencils e poemas espalhados pela Casa. Juntas, constroem perspectivas sobre as experiências femininas e as formas de ocupar, transformar e se relacionar com a cidade.

O destaque são as duas empenas laterais, que recebem obra assinada por Andréa. As pinturas articulam figuras femininas, árvores nativas e animais silvestres em uma mesma paisagem e partem de uma pergunta: que cidade seria possível construir se pessoas e natureza pudessem compartilhar os espaços urbanos com segurança, liberdade e cuidado? A obra é atravessada pela frase “Integrar e Pertencer”, criada para sintetizar a relação entre cuidado, pertencimento e preservação presente no projeto, e que homenageia os movimentos e coletivos do bairro que integram e cuidam dos espaços públicos.

“Minha relação com a Casa de Cultura começou aos 14 anos, quando cantei ‘No Woman, No Cry’ no palco interno. Lembro da minha mãe debaixo do palco, orgulhosa. Lembro da alegria que senti em poder testar ser artista. Agora, poder materializar nas paredes da Casa esse pertencimento que tanto ela quanto o bairro onde nasci despertam em mim é também uma forma de retorno à origem do meu anseio por criar”, conta.

A escolha das participantes parte da geografia afetiva do Butantã. Todas têm trajetórias construídas nas artes urbanas e relações diversas com o território. Em vez de trabalhos independentes, a curadoria propõe uma narrativa visual conjunta, com referências aos espaços verdes e culturais do bairro e aos movimentos comunitários que atuam na proteção dos espaços públicos. O Butantã tem áreas verdes e uma comunidade historicamente mobilizada pela preservação de praças, parques e espaços de convivência, com coletivos, associações e grupos independentes em iniciativas ambientais, culturais e educativas.

É nesse contexto que a ocupação aproxima duas questões: a preservação dos espaços onde a vida pode existir e o direito das mulheres de circular, permanecer, criar e se expressar nesses mesmos espaços. A arte urbana se torna, assim, uma forma de afirmar presenças, compartilhar narrativas e transformar a relação das pessoas com a cidade.

“Ocupar a cidade é colocar nas ruas a voz de tantas mulheres que foram restringidas aos ambientes domésticos, aos cuidados da casa e da família, e distanciadas de seu poder criativo. As vozes das mulheres das artes urbanas são também as vozes de muitas outras que não puderam ocupar os espaços públicos como nós ocupamos hoje. Ainda com riscos permanentes, enfrentamos e ocupamos com nossa arte o mundo. E isso não tem volta”, afirma Andréa.

Além da curadora, participam da ocupação Kika Capucha, Priscila Montania, Lygia Lee, Thaís Gil, Camila Nega, Raphaeula, Liu Olivina, Mathiza, Isabel Tell, Drill, Ella e Lorraine Silva. Kika Capucha atua com graffiti, ilustração, pintura e tatuagem, além de desenvolver trabalhos coletivos nas periferias do Butantã. Priscila Montania transita por diferentes suportes e tem o universo feminino como um dos eixos de sua produção. As demais integram a ocupação com pesquisas e linguagens ligadas às artes urbanas e à produção cultural do território.

Nascida e criada no Butantã, Andréa Tolaini é artista visual, muralista, curadora e produtora cultural. Seu trabalho usa a arte como ferramenta de conexão, reflexão e fortalecimento comunitário, com projetos ligados às mulheres, ao pertencimento, à memória e à transformação social. Entre suas iniciativas estão o Ateliê Coletivo Mídia Ninja, o Coletivo Butantânicas, a exposição Marias e a Ocupação Chácara do Jockey.

SERVIÇO
Ocupação de Artes Urbanas Femininas na Casa de Cultura do Butantã
Local: Casa de Cultura do Butantã
Endereço: Av. Junta Mizumoto, 13, Jardim Peri Peri, São Paulo (SP)
Curadoria: Andréa Tolaini
Produção: Isabel Tell e Jhemily Garcia
Realização: Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo
Apoio: Nou Colors

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