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Crítica: Cara-de-Barro falha ao misturar terror e drama

Crítica: Cara-de-Barro falha ao misturar terror e drama

Por Redação

22/10/2026 às 08:00

Imagem de Crítica: Cara-de-Barro falha ao misturar terror e drama

Estreia nos cinemas nesta quinta-feira (22), Cara-de-Barro, novo filme do universo da DC Comics, dirigido por James Watkins, responsável pelo remake de Não Fale o Mal (2024). A produção conta também com James Gunn (Superman) e Matt Reeves (Batman) entre seus produtores e aposta em uma abordagem mais sombria para um dos personagens dos quadrinhos da DC.

A trama acompanha Matt Hagen, uma estrela de Hollywood em ascensão que, após sofrer um ataque, recorre a tratamentos alternativos na tentativa de recuperar sua aparência. O procedimento, porém, tem consequências devastadoras, transformando-o em uma criatura não humana. Movido pelo desejo de vingança, Matt parte em busca daqueles que arruinaram sua vida, enquanto luta para preservar a própria identidade diante de sua transformação monstruosa. 

O elenco reúne nomes relativamente pouco conhecidos do grande público, com destaque para a britânica Naomi Ackie, que participou de produções como Mickey 17 e Pisque Duas Vezes. Sua atuação acaba se destacando em meio a um conjunto que encontra dificuldades para sustentar as ambições dramáticas da narrativa.

Cara-de-Barro representa uma tentativa de explorar novos caminhos dentro do universo cinematográfico de James Gunn, apostando no terror corporal e em uma atmosfera mais perturbadora. O filme não teme ao apresentar ferimentos e cortes profundos, o que torna válido o aviso para espectadores mais sensíveis. Em muitos momentos, o telespectador poderá desviar o olhar da tela.

Um dos principais problemas é que James Watkins nem sempre consegue sustentar a proposta: se o longa começa com uma atmosfera sombria e promissora, seus momentos decisivos frequentemente cedem espaço ao humor deslocado e ao uso excessivo de jumpscares pouco eficazes.

As dificuldades também aparecem no roteiro e nas atuações. Os diálogos são frequentemente tão artificiais, que acabam provocando risadas involuntárias, enquanto boa parte do elenco não consegue conferir a profundidade necessária aos personagens. 

Um outro ponto a se comentar, é que o longa tenta funcionar como um estudo de personagem, um exercício de terror corporal e até mesmo um romance. Na tentativa de abordar tanto, ele não desenvolve nenhuma das possibilidades com eficácia. 

O universo DC de James Gunn ainda enfrenta o desafio de encontrar regularidade entre suas produções. Embora Superman tenha alcançado resultados comerciais expressivos, o sucesso de um título isolado não garante a consistência de um universo extenso. Nesse contexto, Cara-de-Barro têm a oportunidade de demonstrar que a DC pode explorar gêneros diferentes sem perder a força de suas histórias. 

Para os fãs dos quadrinhos, a experiência pode ser ainda mais frustrante. Gotham, cidade tradicionalmente marcada por uma atmosfera opressora e por suas próprias contradições, pouco se distingue de um cenário urbano genérico, sem personalidade ou força narrativa. No fim, Cara-de-Barro não é particularmente assustador, tampouco interessante. É um filme confuso, incapaz de decidir o que deseja ser e de transformar suas boas possibilidades em uma experiência cinematográfica verdadeiramente envolvente.

Nota 1/5

Por Guilherme Tourinho 

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