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CRÍTICA: "Digger" coloca Tom Cruise na corrida pelo Oscar, em uma distopia sobre os nossos tempos

CRÍTICA: "Digger" coloca Tom Cruise na corrida pelo Oscar, em uma distopia sobre os nossos tempos

Por Redação

01/10/2026 às 08:00

Atualizado em 01/10/2026 às 10:04

Imagem de CRÍTICA: "Digger" coloca Tom Cruise na corrida pelo Oscar, em uma distopia sobre os nossos tempos

Chega aos cinemas hoje (01), “Digger”, novo filme do diretor Alejandro González Iñárritu. O longa apresenta uma distopia satírica sobre um futuro próximo, em que os interesses financeiros estão acima de qualquer valor moral.

A trama acompanha Digger Rockwell (Tom Cruise), um magnata bilionário do petróleo, considerado o homem mais poderoso do mundo. Após uma explosão em uma base de exploração de metano e petróleo na Groenlândia, ligada à sua empresa, são iniciadas uma série de catástrofes climáticas e ecológicas de proporções globais. Entretanto, ao invés de assumir a culpa de forma pacífica, Digger inicia uma corrida frenética e caótica para tentar reparar os danos, controlando a narrativa com um dispositivo chamado “Firewall” e provar a si mesmo e ao mundo que ele é o único salvador da humanidade.

O elenco reúne ótimos nomes, capazes de sustentar toda a megalomania da história, entre eles Sandra Hüller, Emma D’Arcy, Jesse Plemons, Riz Ahmed e John Goodman. Estes dois últimos se destacam logo depois de Cruise, interpretando, respectivamente, um cientista preocupado com a verdade e a ética e um presidente ególatra que remete imediatamente a Donald Trump. 

“Digger” dialoga diretamente com algumas das obsessões presentes na filmografia do Iñárritu: poder, culpa, sobrevivência, ego e as consequências das escolhas humanas, me remetendo diretamente a Birdman. O filme não economiza nas provocações ao expor as contradições do poder contemporâneo, tendo em Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick, uma clara inspiração.

Assim como outras obras da filmografia do diretor, “Digger” não está interessado em agradar todo mundo, o que deve dividir opiniões, mais uma vez. Sua sátira é agressiva, nem sempre buscará o riso e suas escolhas estéticas podem causar estranhamento. Mas tudo isso é justamente uma das coisas mais interessantes aqui, ao percebermos como o filme tenta fugir do óbvio e de uma fórmula já estabelecida.

Nota: 4/5

Por Guilherme Tourinho - Colunista Convidado

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