Home

/

Notícias

/

Teatro

/

FESTAC Bahia realiza de 22 a 26 de setembro Mostra de Espetáculos e Cenas Curtas

FESTAC Bahia realiza de 22 a 26 de setembro Mostra de Espetáculos e Cenas Curtas

Por Redação

10/09/2026 às 10:00

Imagem de FESTAC Bahia realiza de 22 a 26 de setembro Mostra de Espetáculos e Cenas Curtas

Bagagens emocionais atravessadas pela vivência sertaneja. O reggae é transformado em território de identidade e afirmação negra. Um coelho que precisa compreender a importância da água. Corpos que questionam a ideia de normalidade. O bumba-meu-boi encontrando a tragédia clássica. Pescadores que alimentam uma comunidade com histórias quando o peixe falta. Canções de Maria Bethânia embalam narrativas periféricas. Funk, pagodão, bossa nova, capoeira angola, memória familiar, audiovisual, cabaré, ancestralidade e novas formas de existir.

Entre 22 e 26 de setembro, essas e outras experiências chegam a Salvador na Mostra de Espetáculos e Cenas Curtas do Festival Estudantil de Artes Cênica da Bahia (FESTAC Bahia), reunindo criações de estudantes, artistas, grupos, escolas e universidades de diferentes regiões do Brasil. Sob o tema “Infinitas Possibilidades”, a oitava edição do Festival transforma teatros, escolas e espaços culturais da cidade em territórios de circulação, intercâmbio, experimentação e encontro.

A programação conecta produções da Bahia, Minas Gerais, Maranhão, Ceará, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo, aproximando diferentes gerações, territórios e modos de fazer teatro, dança e performance. É justamente desse encontro que emergem as Infinitas Possibilidades que atravessam esta edição do FESTAC: possibilidades de aprender, experimentar, criar e transformar a partir dos processos formativos no campo das artes cênicas.

Elas ganham forma quando a ancestralidade, saúde mental, racismo, envelhecimento, acessibilidade, meio ambiente, sexualidade, trabalho, cultura popular, memória e cultura digital encontram diferentes corpos, dramaturgias, sonoridades e modos de relação com o público. Mais do que reunir temas e linguagens, o FESTAC evidencia a formação artística como um espaço aberto à descoberta, ao cruzamento de saberes e à invenção de outros caminhos para fazer e pensar arte.

Entre malas, afetos e reggae

A Mostra começa no dia 22 de setembro, no Teatro Martim Gonçalves. A primeira abertura do festival ocorre às 15h, com os estudantes do Colégio Estadual Anna Junqueira Ayres Tourinho, de São Francisco do Conde (BA), que apresentam “Malas – A Bagagem do Tempo”. Por meio da metáfora das bagagens emocionais acumuladas ao longo da vida, o espetáculo aborda saúde mental, autoconhecimento e elaboração de traumas, construindo uma travessia sustentada pela possibilidade do recomeço. A apresentação tem acessibilidade em Libras.

A segunda abertura ocorre às 19h no Martim Gonçalves, com os estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Cia Dois é Ímpar, que apresentam “Retalhos do Tempo”. Entre brincadeiras, cantigas e manifestações da cultura tradicional mineira, passado e presente se entrelaçam para confrontar o etarismo e a invisibilização da velhice, afirmando pessoas idosas como sujeitos de desejo, movimento e transformação. A apresentação contará com acessibilidade em Libras e audiodescrição.

No dia 23 de setembro, a Mostra amplia também geograficamente suas referências. Às 10h, no Colégio Estadual Edgard Santos, no Garcia, estudantes do Centro Educa Mais João Francisco Lisboa, do Maranhão, apresentam “Dinamitadora”. Nesta obra, o reggae deixa de ser apenas gênero musical e ganha dimensão de memória, pertencimento e autoafirmação negra, celebrando a relação singular de São Luís com a cultura que fez da capital maranhense a chamada “Jamaica Brasileira”.

Às 15h, no Espaço Cultural Boca de Brasa Subúrbio 360, é a vez de “Mas, e o que é um Cucuruto?”, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Com acessibilidade em Libras e voltado também ao público infantil, o espetáculo combina teatro, música ao vivo, humor e interação para acompanhar um coelho que deseja que a chuva desapareça e, quando a floresta começa a secar, sua aventura se transforma em uma discussão sobre sustentabilidade.

Às 19h, o Teatro Martim Gonçalves recebe “Marly”, espetáculo-solo também da UFBA. Com humor e irreverência, a montagem acompanha a trajetória de uma mulher negra que deixa uma cidade às margens do Rio de Contas, no sul da Bahia, para viver em Salvador. Ao longo dessa jornada, temas como prazer sexual feminino, autonomia, conservadorismo e os tabus que cercam as escolhas das mulheres entram em confronto, provocando reflexões sobre liberdade, desejo e independência. A apresentação contará com recursos de acessibilidade em Libras e audiodescrição.

Que corpo é considerado normal?

No dia 24 de setembro, a programação inclui, pela manhã, a apresentação da Mostra Residência FESTAC, com acessibilidade em Libras, às 10h, no Espaço Cultural Boca de Brasa Subúrbio 360. O público assistirá as apresentações da residência “Dança - Infinitas Possibilidades”, com estudante da Escola Estadual Professor Germano Machado Neto, sob a direção da bailarina e arte-educadora Janahina Cavalcante; e “Infinitas Possibilidades: Corpo, Palavra e Performance”, com alunos do Colégio Estadual de Tempo Integral Priciliano Silva, sob a direção da slammer, poeta e escritora NegaFyah.

À tarde, no Teatro SESI Rio Vermelho, chega ao festival “Normal mente”, do Theatro José de Alencar (CE) - vinculado a Universidade Federal do Ceará (UFC), com acessibilidade em Libras e audiodescrição. O solo de Clarissa Costa começa com uma provocação: o que um corpo dito “normal” tem a contribuir?. A pergunta vira autocrítica e desmontagem da própria ideia de normalidade. Com ironia, o espetáculo investiga a fragilidade dessa construção em uma sociedade capacitista. 

Ainda no dia 24, às 19h, no Martim Gonçalves, “ATENAS: Mutucas, Boi e Body”, da Cia Baiante de Teatro, vinculada à Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), aproxima universos aparentemente distantes: a tragédia clássica e  cultura popular do bumba-meu-boi. A apresentação, que contará com acessibilidade em Libras e audiodescrição, desloca referências clássicas para produzir outra possibilidade de leitura sobre comunidade, conflito e tradição.

Histórias também alimentam

Em 25 de setembro, às 10h, a FESTAC apresenta “Maré de Histórias”, no Colégio Estadual Dalva Matos, no bairro do Lobato. Migué Jeje, Jerêmia e Margarida partem para uma pescaria, mas encontram águas poluídas e poucos peixes. O que poderia ser apenas espera transforma-se em roda de histórias. Lendas, saberes afro-indígenas, música, humor, mistério, instrumentos tradicionais e elementos ligados à cultura dos Griôs atravessam a montagem. 

Às 15h, o Subúrbio 360 volta a ser palco da mostra pública das residências FESTAC - “Circo - Equilibrando Sonhos e Possibilidades”, com os estudantes do Colégio Estadual de Tempo Integral Mário Costa Neto” - ministrada por Yerko Haupt; e “Dança - Sonhos Infinitos”, com alunos do Centro Educacional Edgard Santos - ministrada por Thiago Cohen. As apresentações contam com acessibilidade em Libras.

À noite, às 19h, no Teatro Martim Gonçalves, a lógica das redes sociais invade a cena em “Cabaré Cibernético”, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), com acessibilidade em Libras e audiodescrição. Misturando comédia, musical e cabaré, tela e palco, a obra constrói uma distopia tecnológica atravessada por hipersexualização, aplicativos de relacionamento, exposição de dados, manipulação, alienação e novas formas de controle.

Bethânia, corpo e memória

No último dia da Mostra, 26 de setembro, às 15h, o Centro Cultural Alagados recebe “Alfas, Gamas, Bethânias & outras asSOMBRAções”, produção de estudantes da Escola de Dança da UFBA, com acessibilidade em Libras e audiodescrição. Maria Bethânia é ponto de partida, mas não ponto de chegada. Sua trajetória, voz e repertório atravessam experiências de corpos majoritariamente negros e periféricos para colocar em movimento memórias, identidades e resistências do Brasil negro e indígena. 

Neste mesmo dia, entre as apresentações da programação, ocorre ainda o IV Encontro de Grupos, espaço dedicado ao intercâmbio, à reflexão e à troca de experiências entre grupos e artistas participantes do festival.  Às 19h do dia 26, o Teatro Martim Gonçalves recebe a Mostra de Cenas Curtas, com acessibilidade em Libras, reunindo cinco trabalhos que transformam experiências pessoais, questões sociais, pesquisas acadêmicas e inquietações artísticas em diferentes formas de dramaturgia. 

“Em Casa de Pedreiro, Tijolo é Pau”, performance solo do artista Victor Hugo Neves de Oliveira, da Universidade Federal de Goiás (UFG), investiga as relações entre corpo, raça, trabalho, memória e ancestralidade a partir das experiências do artista na dança, na capoeira angola e na construção civil.

Já “Isso (Não) É Só Uma Fase”, de Os Ciclomáticos Cia de Teatro (RJ), utiliza repetição, teatro físico e coralidade para revelar a permanência da violência enfrentada por mulheres sáficas. Da Universidade Federal Fluminense (UFF) vem “Mosca Varejeira”, experiência híbrida entre teatro, dança e performance. Negritude, gênero e diferentes corporeidades atravessam a cena.

Entre o banquinho e o paredão, “Proibidão Acústico”, da UFBA, produz um encontro improvável — e deliberado — entre funk, pagode baiano, MPB, bossa nova e cultura digital. O solo de autoficção “Raiz AtriMarca”, da UFMG, interpretado por Júlia Oliveira, tem como cenário o terreiro de uma matriarca, espaço de reencontro entre gerações de mulheres negras.

As Cenas Curtas também integram a dimensão formativa do FESTAC. Os trabalhos selecionados passam por um processo de mentoria artística, com encontros realizados antes das apresentações, criando espaço para acompanhamento, provocação e aprofundamento das pesquisas em diálogo com profissionais convidados.

O espaço da formação é infinito! 

A Mostra de Espetáculos e Cenas Curtas integra a programação do FESTAC Bahia – Ano 8, que reúne ainda Residências Artísticas, encontros, oficinas e outras ações de formação e intercâmbio. Ao longo de 2026, o festival também amplia sua atuação territorial por meio da Caravana FESTAC e de outras ações voltadas à circulação e ao fortalecimento das artes cênicas estudantis.

Para Marcus Lobo, coordenador geral do FESTAC Bahia, essa perspectiva está no centro da oitava edição. “Ao chegar ao oitavo ano, o FESTAC reafirma seu compromisso com a criação estudantil como espaço de invenção, diálogo e transformação. ‘Infinitas Possibilidades’ nasce justamente da compreensão de que os contextos formativos são férteis para experimentar novas linguagens, provocar encontros entre diferentes territórios e fortalecer a arte produzida nas escolas, universidades e espaços livres de formação.”

Realizado pelos coletivos COOXIA e COATO, o FESTAC Bahia reafirma em seu oitavo ano a criação estudantil como território infinito de pesquisa, linguagem e pensamento. Ao colocar lado a lado trabalhos de escolas, universidades, companhias e diferentes processos formativos, a Mostra faz do encontro entre territórios uma de suas principais dramaturgias — e mantém abertas as infinitas possibilidades de fazer, aprender e imaginar a cena.

O projeto foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e conta com apoio financeiro do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, com recursos direcionados pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.

SERVIÇO
O quê: Mostra de Espetáculos e Cenas Curtas do Festival Estudantil de Artes Cênicas da Bahia | FESTAC Bahia – Ano 8 | Infinitas Possibilidades
Quando: 22 a 26 de setembro de 2026
Onde: teatros, escolas e espaços culturais de Salvador (BA)
Mais Informações: @festacbahia

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.