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Melanina Acentuada Festival conclui 8ª edição marcada pela celebração dos ‘80 anos do Teatro Experimental do Negro’
Melanina Acentuada Festival conclui 8ª edição marcada pela celebração dos ‘80 anos do Teatro Experimental do Negro’
Por Redação
06/08/2026 às 13:00
Foto: Laboratório Z
Ao longo de sete dias de programação distribuída por teatros, auditórios e centros culturais em Salvador, o Melanina Acentuada Festival encerra a sua oitava edição reafirmando sua contribuição para a difusão da dramaturgia negra. Entre os dias 28 de julho e 3 de agosto, a cidade se transformou na grande ‘guardiã’ das narrativas afrodiaspóricas e afroindígenas, reunindo 3,2 mil pessoas em torno da programação dos ‘80 anos’ do Teatro Experimental do Negro (TEN).
Com aproximadamente 26h de atividades, o festival assinou mais de vinte ações culturais, incluindo sete espetáculos, ‘pocket show’, literatura, artes cênicas, música, poesia, leituras dramáticas, lançamentos de livros e encontros com Antônio Pitanga, Leda Maria Martins e Elisa Larkin, que celebram a ‘identidade preta’ e suas formas de expressão. A curadoria geral do festival é assinada pelo ator, autor e dramaturgo Aldri Anunciação.
Anualmente, entre o fim de julho e o início de agosto, o Melanina Acentuada ocupa diferentes espaços culturais da capital, articulando o encontro entre a cena artística e o público. Nesta edição, o festival alcançou o recorde de teatros e ocupações, com uma programação que percorreu os bairros da Pituba, Caminho das Árvores, Rio Vermelho, Corredor da Vitória, Comércio e o Vale do Canela.
In Memoriam do pensador, autor e ativista dos direitos dos negros no Brasil, Abdias do Nascimento, a oitava edição construiu sua curadoria em torno da permanência e da atualidade desse legado para a cena artística brasileira. Entre os destaques da programação, as homenagens atravessaram o espetáculo homônimo interpretado e idealizado pelo ator Lincoln Oliveira, na peça Abdias do Nascimento, além de reunir nomes conhecidos como Clayton Nascimento no espetáculo MACACOS, o retorno de Jhonny Salaberg em Namíbia, Não!, além da perspicácia do diretor Eugênio Lima na peça Black Machine.
Neste ano, estreantes como os espetáculos Candomblé da Barroquinha, De Férias com Koanza e TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira abriram novos debates no festival. Levando diferentes olhares sobre identidade, memória e resistência dos povos originários, o Melanina Acentuada Festival trouxe pela primeira vez aos palcos a aproximação com narrativas afroindígenas, assinado pela peça sucesso de público e da crítica, TYBYRA, monólogo escrito pelo ator Juão Nyn.
O circuito também apostou em nomes como a ensaísta e autora de “A Fina Lâmina da Palavra”, Leda Maria Martins, além de escritores, pesquisadores e atores, como Luciany Aparecida, Elisa Larkin, Antônio Pitanga, Paulo Guidelly, Guilherme Diniz, Jessé Oliveira, Daniel Arcades, Sulivã Bispo, Angela Daltro, Camila Bonifácio, Mabel Freitas, Carol Carvalho e Liz Novais, que integraram o diálogo entre teatro, literatura e educação por meio das entrevistas, debates e lançamentos editoriais.
Com atividades formativas gratuitas e voltadas à ampliação do acesso à cultura, o Melanina promoveu a participação de estudantes, pesquisadores, artistas, turistas e famílias em diferentes experiências ao longo da semana. Buscando incentivar a formação de público e ampliar a circulação da produção artística negra, o backstage do festival contou com 85 colaboradores e 25 artistas, reafirmando o Melanina como um dos principais polos dedicados à dramaturgia negra no país.
“Celebrar os 80 anos do Teatro Experimental do Negro é reconhecer uma trajetória de resistência, criação e transformação. O Melanina Acentuada nasce e se fortalece a partir desses legados, trazendo para Salvador as múltiplas vozes, histórias e estéticas que formam a diáspora negra. Essa ocupação histórica, que realizamos ano após ano, reafirma a potência da arte negra e a importância de movimentar a cena cultural da cidade, criando espaços de encontro, circulação e visibilidade para artistas, pensadores e novos públicos. O festival se consolida como um território de celebração, reflexão e fortalecimento das narrativas negras que atravessam e transformam Salvador”, conclui Aldri Anunciação.
Ao longo de 14 anos, o Melanina Acentuada Festival consolidou-se como um dos principais espaços dedicados à dramaturgia negra no país, reunindo artistas de diferentes estados brasileiros e apresentando mais de 40 espetáculos em sua trajetória. O festival já recebeu nomes como Ana Maria Gonçalves, Carlos Moore, Elisa Lucinda e Léa Garcia – atriz que integrou o Teatro Experimental do Negro (TEN) e abriu a edição de 2016 do Melanina, no Teatro da Barroquinha, com uma palestra sobre sua experiência na companhia.
Melanina Acentuada Festival - Ano 8 é um projeto apresentado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, patrocínio da Novelis e apoio do CCBB. Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado. Realização: Melanina Acentuada Produções, Sistema Nacional de Cultura, Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Governo Federal.
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