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“Ofício” coloca atores diante das contradições do trabalho e do fazer teatral

“Ofício” coloca atores diante das contradições do trabalho e do fazer teatral

Por Redação

02/10/2026 às 09:00

Imagem de “Ofício” coloca atores diante das contradições do trabalho e do fazer teatral

Foto: Lucas Mayor

O trabalho pode ser fonte de sustento, mas também de frustração, desejo, pertencimento e sentido. Em Ofício, o Grupo II parte das experiências concretas de seus próprios atores para colocar essas contradições em cena. O espetáculo será apresentado nos dias 9, 10, 11, 16, 17 e 18 de outubro, dentro da Mostra do Grupo II, no Teatro Arthur Azevedo, em São Paulo.

Com direção de Lucas Mayor e Marcos Gomes, a montagem é dividida em três partes e aproxima situações vividas pelos artistas de textos de diferentes períodos da história do teatro. Antígona, de Sófocles, O jardim das cerejeiras, de Anton Tchekhov, e O Ator, de Plínio Marcos, são incorporados à dramaturgia para tratar de questões como a precarização do trabalho, o luto e a especulação imobiliária que afeta espaços independentes.

A primeira parte, Autodescrição, foi escrita por Marcos Gomes, dramaturgo com deficiência, para os atores Cleber Tolini, com baixa visão, e João Bourbonnais, de 70 anos. A cena utiliza procedimentos de autodescrição e audiodescrição para acompanhar dois atores que não encontram lugar no mercado de trabalho e tentam viabilizar uma pequena montagem de O jardim das cerejeiras. A acessibilidade, neste caso, integra a própria construção da cena e da dramaturgia.

A segunda parte do espetáculo é dedicada a O Ator, texto de Plínio Marcos escrito em 1986 e dedicado às atrizes e aos atores. Interpretado por Guilherme Conceição, o texto assume uma voz em primeira pessoa que se dirige diretamente a quem faz teatro e reafirma o vínculo com o ofício teatral.

A terceira parte, Conteúdo Adulto, é escrita por Lucas Mayor e acompanha um casal de atores negros que vive de subempregos e recorre à remontagem de Antígona diante do suicídio e do não sepultamento do pai de um deles. A obra de Sófocles passa, assim, a se relacionar diretamente com uma experiência de luto e com as condições de vida dos personagens.

As histórias apresentadas em Ofício também partem da composição do elenco, formado por Cleber Tolini, Filipe Roseno, Guilherme Conceição, João Bourbonnais e Robinson Rogério. Desde sua concepção, o trabalho foi desenvolvido a partir da presença de um ator com baixa visão, três atores negros e um ator com 70 anos, incorporando essas experiências à dramaturgia e à encenação.

A montagem dá continuidade à pesquisa do Grupo II sobre a Forma Breve e ao trabalho desenvolvido pelo coletivo ao longo de dez anos de atuação contínua, completados em 2025. A pesquisa do grupo também envolve criação coletivizada, centralidade dos corpos dissidentes e espaços formativos ligados à dramaturgia, montagem, crítica e performance.

A temporada no Teatro Arthur Azevedo amplia os territórios de apresentação do grupo e seu contato com o público. O espaço também é apontado pelo coletivo como um local plenamente acessível, em diálogo com a pesquisa desenvolvida em Ofício sobre as relações entre estética e acessibilidade.

Serviço | Ofício | Grupo II
Mostra do Grupo II
Data: 09, 10, 11, 16, 17 e 18 de outubro
Horário: Sextas e sábados, às 21h; domingos, às 18h
Local: Teatro Arthur Azevedo | Sala Multiuso
Endereço: Av. Paes de Barros, 955, Alto da Mooca, São Paulo
Ingressos: R$ 30
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 60 minutos
Direção: Lucas Mayor e Marcos Gomes
Dramaturgia: Lucas Mayor, Marcos Gomes e Plínio Marcos
Elenco: Cleber Tolini, Filipe Roseno, Guilherme Conceição, João Bourbonnais e Robinson Rogério

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