CRÍTICA: "Back to Black" não faz jus a Amy Winehouse
16/05/2024 às 09:00
Atualizado em 16/05/2024 às 21:29

Desde que foi anunciado, o filme biográfico de Amy Winehouse criou uma atmosfera de expectativas no público, em especial nos fãs da saudosa artista. Um dos maiores ícones que o mundo da música já teve, mesmo com seu pouco tempo de estrada, em virtude do fim trágico, a estrela por traz de sucessos como "Rihab", "Valerie" e "Tears Dry On Their Own" tem sua história apresentada nos cinemas, sob a direção assinada por Sam Taylor-Johnson (Cinquenta Tons de Cinza).Em "Back to Black", retirado de um dos seus maiores hits, somos convidados a revisitar a conturbado vida de Amy, começando pelo com ela já aos 18 anos, pouco tempo antes de assinar seu primeiro contrato com uma gravadora. O roteiro apresenta de início a performer que não pensa em direito e sim fazer a sua arte se espalhar e significar algo na vida das pessoas. No decorrer do caminho, a cinebiografia traz a entrada de Blake (Jack O’Connell) na vida da jovem artista, além da relação com o pai, Mitch (Eddie Marsan) e a conturbada luta contra o assédio dos paparazzis.Para quem acompanhou a carreira e vida de Winehouse, já que, após o estrelato, cada passo seu estava estampado nos tabloides, "Back to Black" tinha tudo para entregar uma cinebiografia emocionante e que ajudasse o público a conhecer e compreender melhor o que acontecida com a artista nos bastidores. Infelizmente, não é isso que acontece. Aqui somos apresentados apenas a uma artista que parece rasa, o que nunca foi, independente dos seus problemas. Sua arte é praticamente reduzida a uma mulher que alcoolizada, que escreve sobre relacionamentos e se entrega a um homem que conheceu no pub. Com o passar do tempo, vemos Amy definhar, ser desumanizada.Em uma análise mais profunda do que é apresentado em quase duas horas de tela, o que se pode dizer é que chega a ser vergonhosa a forma como Amy é diminuída. Todos sabem que ela passou por muitos problemas, que não tinha uma vida perfeita, mas que era muito boa no que fazia e aparentava ter um coração enorme. Esses momentos de criação e de laços foram reduzidos a quase nada, dando espaço para o que vendia na mídia de fofocas sobre ela, além de não questionar as figuras ao seu redor e o quanto elas colaboraram de forma negativa ou não tiveram um papel realmente importante na tentativa de lhe resgatar do fundo do poço.Com roteiro superficial de Matt Greenhalgh e direção criativa fraca, onde os fatos da vida de Amy Winehouse são apresentados de forma confusa, "Back to Black" tem como um dos únicos atrativos a atuação do elenco, em especial Marisa Abela como Amy. Um pouco caricata de início, a atuação da atriz vai ganhando força e consegue cativar, chegando perto do que conhecíamos da estrela musical. Ela faz toda a diferença e consegue extrair a mais profunda emoção, seja nos momentos de alegria (poucos) ou nos mais difíceis, como a morte da avó Cynthia (Lesley Manville), as brigas com o ex-marido ou as crises.Em resumo, "Back to Black" não faz justiça à grande mulher e artista que Amy Winehouse foi, que inclusive tentou lutar contra seu vicio, luta mostrada também de forma rasa. Em sua maior parte, mostra a dona da história como uma pessoa que escolheu caminhos errados e seguiu nele. É triste, não só pelo fim que ela teve, mas pela forma como foi explorada.
Relacionadas
Ver maisRanking de produções mais assistidas revela disputa acirrada entre mais de 160 produções do CURTA! Festival
07/07/2026 às 14:19
Por Redação
A comédia mais aguardada do ano, "O Convite" estreia em todo o Brasil nesta quita
06/07/2026 às 14:50
Por Redação
Galpão Bela Maré exibe 3 Obás de Xangô e tem programação especial para férias escolares
30/06/2026 às 14:00
Por Redação