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Espetáculo ‘Namíbia, Não!’ retorna a Salvador em edição comemorativa de 15 anos
Espetáculo ‘Namíbia, Não!’ retorna a Salvador em edição comemorativa de 15 anos
Por Redação
09/03/2026 às 10:15

Foto: Victor Balde
O aclamado espetáculo ‘Namíbia, Não!’, escrito por Aldri Anunciação e dirigido por Lázaro Ramos, retorna ao Teatro Sesc Casa do Comércio, em Salvador, nos próximos dias 14 e 15 de abril. A montagem que conquistou mais de um milhão de espectadores no Brasil e na cena internacional, como Portugal, Londres e Alemanha, comemora os seus “15 anos de espetáculo”, com duas únicas sessões, a partir das 20h. Sujeito a lotação, os ingressos estão disponíveis através da plataforma Sympla.
Sucesso de público e de crítica, a montagem que deu origem ao longa-metragem “Medida Provisória” (2022) e que venceu o ‘Prêmio Jabuti’ (2013), retorna à cena com os primos Antônio (Aldri Anunciação) e André (Jhonny Salaberg) no centro do confinamento.
Deportando pessoas negras às repúblicas afrodiaspóricas, mas ‘Namíbia, Não!’, o espetáculo aguarda baianos e turistas para a temporada em Salvador, anunciando a montagem com figuras conhecidas da dramaturgia. As interpretações em ‘off’, que atravessaram quase duas décadas de espetáculo, chegam nas vozes do ator Wagner Moura como ‘Ministro da Devolução’; Léa Garcia (1993 - 2023) como ‘Mãe Idosa’; Suely Franco como ‘Dona Araci’; Pedro Paulo Rangel (1948 - 2022) como ‘Seu Nina’ e Lázaro Ramos como ‘seu Machado’.
Trazendo à memória do público as vozes que marcaram a dramaturgia brasileira, a montagem ‘Namíbia, Não!’ celebra a sua temporada comemorativa pela longevidade da peça, ao passo que reafirma sua contemporaneidade após o endurecimento de políticas migratórias e deportações no cenário global. Idealizado pelo autor, ator, diretor e produtor Aldri Anunciação, o espetáculo já rodou mais de 20 cidades e 11 estados, totalizando mais de mil apresentações ao redor do Brasil e do mundo.
“O espetáculo trabalha com um desenho de vozes (vozes ‘fantasmas’ e vozes muito reais) que pressionam as personagens por dentro da narrativa. E uma dessas vozes é a voz do poder, uma voz opressora, que determina a execução da Medida Provisória — essa ideia brutal de exigir que pessoas negras ‘retornem’ à África em pleno século XXI. Dramaturgicamente, essa voz é decisiva porque ela materializa a máquina do Estado e fecha o cerco, empurra as personagens para o limite e participa diretamente do desfecho do conflito. E aí entra a importância de personagens como o de Wagner Moura, que empresta a essa figura um timbre de autoridade e uma densidade interpretativa que tornam o dispositivo ainda mais forte. Outras participações em off, como a de Léa Garcia, que é um ícone do teatro, cinema e TV do Brasil e pioneira abrindo o caminho para toda uma geração, traz ainda mais nostalgia à peça”, comenta Aldri.
Saindo do off para contracenar no palco do ‘Teatro Sesc Casa do Comércio’, Aldri se junta a Jhonny Salaberg para provocar boas risadas do público, mas não sem antes propor uma reflexão sobre uma diáspora reversa que atravessa a contemporaneidade. Os cidadãos de “Melanina Acentuada” — como atendem no longa ‘Medida Provisória’ — seguem confinados a uma narrativa de reparação social que, na visão do autor e ator Aldri Anunciação, entra no próprio enredo como critério de perseguição estatal.
“Melanina" nasce dentro da obra como um gesto dramaturgicamente prático e politicamente irônico. Em num momento em que se discutia muito como nomear a negritude (preto, negro, etc.), eu crio um termo próprio ‘melanina acentuada’ que desloca a conversa do rótulo para o mecanismo do racismo, e ainda lembra que melanina é um elemento biológico humano (em diferentes gradações). Essa expressão entra no próprio enredo como critério absurdo de perseguição estatal. E ela extrapola o palco porque vira linguagem de rede, dá nome a uma plataforma e a um ecossistema de produção/circulação de narrativas negras, com festival e portal. No campo acadêmico, isso também vira chave de leitura, com pesquisas e dissertações que mobilizam a obra e a discussão de ‘melanina acentuada’ como categoria para pensar teatro negro contemporâneo e política do corpo”, explica.
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