Projeto MURAL realiza grande homenagem ao artista Juarez Paraíso em Salvador
Por Redação
09/10/2026 às 16:20

Em celebração aos seus 10 anos de atuação, o projeto homenageia um dos grandes nomes das artes visuais brasileiras, que completou 92 anos em setembro. A obra “Brasilidades” está sendo reproduzida em uma empena no centro antigo da capital baiana.
O artista plástico baiano Juarez Paraíso, um dos maiores nomes do muralismo e das artes visuais brasileiras, está recebendo uma homenagem especial do Projeto MURAL – Movimento Urbano de Arte Livre, que celebra uma década de atuação em Salvador em 2026. A iniciativa consiste na reprodução em grande escala da obra “Brasilidades”, em uma empena do Edifício Jovilo, localizado na Avenida José Joaquim Seabra, na região da Sete Portas.
A intervenção artística, atualmente em execução, é realizada pelos artistas muralistas Nila Carneiro, Bado, Luan H e Rubens Chagas (Suck), responsáveis pela transposição da criação original para a fachada do edifício. O trabalho está transformando a empena em um novo marco visual da região, valorizando a paisagem urbana e aproximando o público da produção de um dos artistas mais importantes da Bahia.
A homenagem ganha significado especial por acontecer no ano em que Juarez Paraíso completou 92 anos, em setembro, e em que o Projeto MURAL comemora seus dez anos de trajetória. Mais do que celebrar uma carreira, a iniciativa reconhece a contribuição de um artista que ajudou a consolidar a presença das artes visuais na arquitetura e nos espaços públicos de Salvador, tornando-se referência para diferentes gerações de artistas e para o próprio Projeto MURAL desde sua criação, em 2016.
Juarez Paraíso acompanha a execução da obra, estabelecendo uma conexão entre sua trajetória artística e a nova geração de muralistas que participa da homenagem. A previsão é que o painel seja concluído e entregue à cidade em breve, ampliando o circuito de arte urbana de Salvador.
A homenagem a Juarez Paraíso integra a 4ª edição do Projeto MURAL – Movimento Urbano de Arte Livre, uma realização da Trevo Produções, Fundação Gregório de Mattos (FGM), Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SECULT), Secretaria Municipal da Fazenda (SEFAZ) e Prefeitura de Salvador, na modalidade Doação, por meio do Programa Viva Cultura.
A iniciativa reafirma o compromisso com a valorização da arte pública, a preservação da memória artística baiana e a democratização do acesso à cultura, transformando a paisagem urbana de Salvador em uma galeria de arte a céu aberto.
Arte e memória no coração das Sete Portas
A escolha do local também carrega um significado simbólico. Conhecida por sua intensa atividade comercial, pelas feiras populares e pela circulação diária de trabalhadores, comerciantes e consumidores, a região das Sete Portas ocupa um lugar importante na história e na dinâmica urbana de Salvador. O bairro também guarda a memória de ter abrigado a primeira rodoviária da capital baiana, consolidando-se historicamente como um espaço de encontros, deslocamentos e conexões.
Ao receber a obra de Juarez Paraíso, a região ganha uma nova referência artística e cultural, em diálogo com sua identidade popular e sua importância para a cidade.
A intervenção propõe um encontro entre a arte moderna baiana e a vida cotidiana de um território marcado pela diversidade, pelo comércio e pelo movimento. A empena passa a integrar a paisagem de quem vive, trabalha e circula pelas Sete Portas, reafirmando o potencial da arte pública de transformar espaços urbanos em lugares de memória, contemplação e pertencimento.
“Brasilidades”: cor, movimento e identidade cultural
A obra escolhida para a homenagem, “Brasilidades”, traduz a força expressiva da linguagem artística de Juarez Paraíso. Com uma composição de cores vibrantes, formas orgânicas, elementos florais e grafismos ornamentais, a criação revela um universo visual marcado pela experimentação, pelo movimento e pela riqueza de referências culturais.
Na nova escala, a composição ganha outra dimensão e estabelece um diálogo com a arquitetura e com o cotidiano das Sete Portas. A pintura amplia a visibilidade da obra e permite que milhares de pessoas tenham contato com a linguagem de Juarez Paraíso fora dos espaços tradicionais de exposição.
A reprodução também representa um desafio artístico e técnico para os muralistas envolvidos, que trabalham na adaptação da composição original às proporções da empena, buscando preservar a identidade visual, os movimentos, os detalhes e a intensidade cromática característicos da criação.
A proposta não é apenas reproduzir uma imagem, mas celebrar e manter viva a presença de Juarez Paraíso na paisagem de Salvador, cidade com a qual sua trajetória artística mantém uma relação profunda.
Juarez Paraíso: uma vida dedicada à arte e à cidade
Nascido em 3 de setembro de 1934, na Bahia, Juarez Paraíso construiu uma trajetória de mais de sete décadas dedicada à criação artística, à experimentação e ao ensino. Pintor, escultor, gravador, desenhista, fotógrafo, muralista, professor e crítico de arte, integra a segunda geração de artistas modernos da Bahia, ao lado de nomes como Calasans Neto, Sante Scaldaferri e Jenner Augusto.
Formado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde também atuou como professor e diretor, Juarez participou ativamente da renovação das artes visuais baianas. Entre suas contribuições estão a organização das Bienais da Bahia, realizadas na década de 1960, e a criação de obras que romperam os limites convencionais entre pintura, escultura, arquitetura e espaço urbano.
Sua produção está presente em importantes espaços da capital baiana. Entre os trabalhos mais emblemáticos está “Flor de Pedras”, criado em 1998 para o Museu Geológico da Bahia, no Corredor da Vitória, e restaurado em 2023. A obra reúne arte e ciência em uma composição que faz referência à diversidade mineral do estado.
Outro marco de sua trajetória foi a instalação artística realizada em 1968 no antigo Cine Tupy, na Baixa dos Sapateiros. Considerada pelo próprio artista uma experiência pioneira de arte ambiental em Salvador, a intervenção transformava a arquitetura do cinema em uma experiência imersiva. A obra foi posteriormente destruída, tornando-se também um símbolo da necessidade de preservação do patrimônio artístico da cidade.
Seu legado inclui ainda trabalhos monumentais no Centro Administrativo da Bahia (CAB), com destaque para o mural da antiga Secretaria da Agricultura, realizado em 1974, além de intervenções artísticas no Hospital Aliança, onde integrou arte, arquitetura e paisagismo.
Em reconhecimento à sua contribuição para a cultura, Juarez Paraíso foi eleito para a Academia de Letras da Bahia em 2018, tomando posse na cadeira nº 39 em maio de 2019. Em janeiro de 2025, a instituição inaugurou uma galeria de artes visuais em sua homenagem, reafirmando a importância de sua produção para a história cultural brasileira.

Dez anos do Projeto MURAL: uma homenagem a quem abriu caminhos
A homenagem integra as celebrações dos dez anos do Projeto MURAL, iniciativa criada em 2016, idealizado pela jornalista e produtora cultural Vanessa Vieira, com o propósito de transformar fachadas, muros e empenas de Salvador em grandes obras de arte pública.
Ao longo dessa trajetória, o projeto já realizou mais de 65 intervenções artísticas, incluindo 26 megamurais, reunindo mais de 50 artistas e contribuindo para consolidar Salvador como referência no cenário do muralismo urbano.
A escolha de Juarez Paraíso para esta homenagem representa também o reconhecimento de uma referência fundamental para a concepção do próprio projeto. Muito antes da expansão contemporânea dos grandes murais, o artista já defendia, por meio de sua produção, a integração da arte com a arquitetura, os espaços públicos e a experiência cotidiana da cidade.
Nesse sentido, a intervenção nas Sete Portas estabelece um diálogo entre diferentes gerações da arte baiana, conectando o pioneirismo de Juarez Paraíso à atuação dos muralistas contemporâneos.
A homenagem também reforça a importância da preservação da arte pública. Ao longo das últimas décadas, obras importantes de Juarez foram destruídas ou sofreram processos de deterioração, mobilizando artistas, pesquisadores e instituições culturais em defesa da proteção de seu patrimônio artístico.
Ao levar “Brasilidades” para uma grande empena urbana, o Projeto MURAL reafirma seu compromisso com a valorização dos artistas baianos, a democratização do acesso à arte e a construção de uma memória visual para Salvador.
A obra segue em execução e, em breve, será entregue à população como um presente para a cidade e uma homenagem em vida a Juarez Paraíso, cuja trajetória continua inspirando novas gerações.
Ficha técnica
Homenagem a Juarez Paraíso – 10 anos do Projeto MURAL
Obra: Brasilidades
Artista homenageado e autor da obra original: Juarez Paraíso
Local: Edifício Jovilo – Avenida José Joaquim Seabra, nº 345, região das Sete Portas, Salvador – BA
Artista responsável pela execução: Nila Carneiro
Artistas assistentes: Luan H, Bado e Rubens Chagas (Suck)
Concepção e curadoria do Projeto MURAL: Vanessa Vieira
Coordenação Técnica: Marcos Clement
Produção interna: Franciele Moraes
Produção de campo: Puma
Realização: Trevo Produções, Fundação Gregório de Mattos (FGM), Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SECULT), Secretaria Municipal da Fazenda (SEFAZ) e Prefeitura de Salvador, por meio do Programa Viva Cultura, na modalidade Doação.
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