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CRÍTICA: "Dentro da Baleia" trata o luto com metáfora reflexiva e claustrofobica

CRÍTICA: "Dentro da Baleia" trata o luto com metáfora reflexiva e claustrofobica

Por Robson Cobain

15/10/2026 às 08:00

Atualizado em 15/10/2026 às 08:13

Imagem de CRÍTICA: "Dentro da Baleia" trata o luto com metáfora reflexiva e claustrofobica

Levar o luto para as telas do cinema normalmente exigir delicadeza. Em "Dentro da Baleia", que estreia hoje (15), o diretor Brian Duffield, que também assina o roteiro com Daniel Kraus, segue por outro caminho e mostra o processo de perda em uma experiência visceral, claustrofóbica e de pura sobrevivência. 

A trama acompanha Jay Gardiner (Austin Abrams), um jovem mergulhador impulsionado pela dor e pelo desejo de encontrar os restos mortais de seu pai, interpretado por Josh Brolin, no fundo do oceano. A premissa ganha contornos desesperadores quando Jay é engolido por uma imensa baleia-cachalote, de 25 metros, ficando preso no interior da criatura com apenas uma hora de oxigênio restante. Daí, já é possível ter noção do quanto o tempo será angustiante para quem não gosta de lugares apertados.

O grande trunfo da narrativa é transformar o confinamento forçado em uma metáfora viva para o peso da culpa pela convivência, obrigando o protagonista a encarar seus maiores traumas para redescobrir a própria vontade de viver. Austin Abrams entrega um ótimo trabalho para Jay, carregando o filme praticamente sozinho nas costas durante a maior parte da projeção. O ator transmite o pavor do sufocamento iminente e o cansaço emocional, fazendo o espectador sentir cada respiração. Complementando essa dinâmica, Josh Brolin traz uma presença marcante e imponente como o pai. As cenas de flashback não apenas se mostram fundamentais para contextualizar a relação complexa entre pai e filho, como também servem para explicar o conhecimento técnico e a motivação por trás das ações de Jay na tentativa desesperada de sobreviver.

Mesmo quando o ritmo desacelera para dar lugar a esses respiros reflexivos, o filme compensa com um design de som impecável e um clima constante de tensão sufocante. É um turbilhão de tensões guiadas pela metáfora e a torcida para que Jay consiga sobreviver da "aventura aquática" nada convencional. 

"Dentro da Baleia" chega como um ótimo thriller psicológico, repleto de tensão e emoção, mostrando que para sair das maiores profundezas da dor, primeiro é preciso encarar os monstros que guardamos na nossa mente. É reflexivo e angustiante no ponto certo.

 

Nota: 4/5

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