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‘Movimento Boca de Brasa’ celebra a potência das periferias com três dias de programação aberta ao público

‘Movimento Boca de Brasa’ celebra a potência das periferias com três dias de programação aberta ao público

Por Redação

17/03/2026 às 10:30

Imagem de ‘Movimento Boca de Brasa’ celebra a potência das periferias com três dias de programação aberta ao público

Foto: Joyce Xavier

Valorizando os territórios e vozes da periferia, em meio aos ‘477 anos da Cidade do Salvador’, a capital baiana dá as boas-vindas à 9ª edição do ‘Movimento Boca de Brasa’ – no Quarteirão das Artes Moraes Moreira entre os dias 26 e 28 de março! A programação dá visibilidade aos artistas das comunidades periféricas de Salvador com três dias de espetáculos, feiras criativas, exposições, podcasts, desfiles, ocupações, oficinas, aulões de dança, stand-ups, shows e laboratórios criativos.

Descentralizando a cultura e fortalecendo a cena artística local, o ‘Movimento Boca de Brasa’ integra as ações em comemoração aos “40 anos da Fundação Gregório de Mattos (FGM)”, no ano de 2026. Celebrando o programaque nasceu junto à FGM, em 1986, diretamente dos circuitos do Centro Histórico e Barroquinha.

Ressignificando os territórios de Salvador através da arte, a grade em formato de ‘festival’ ocupará a Rua do Couro (Ladeira da Barroquinha); o Quarteirão das Artes Moraes Moreira; Espaço Cultural da Barroquinha (Pátio Iyá Nassô); Escadaria da Barroquinha; Café-Teatro Nilda Spencer; Teatro Gregório de Mattos; e o Espaço Boca de Brasa Centro. 

No escopo da 9ª edição, a programação reúne personalidades como Alberto Pitta (Cortejo Afro), Nildinha Fonseca (Coreógrafa e bailarina), José Eduardo (Acervo da Laje), Aila Menezes, Dione e May Rodrigues no Pod Potências, além das apresentações de Duquesa, Larissa Luz e ÀTTØØXXÁ na line-up de shows. Tati Campelo, UZARTE, Hainner e IAN também integram as atrações, ao lado dos coletivos Slam das Minas, ‘Clube Dazminina’ e o Instituto Periferia do Futuro, compondo cerca de 30 horas de atividades gratuitas abertas ao público.

Um dos grandes destaques do Movimento Boca de Brasa vai para os próprios alunos e ex-alunos das ‘Escolas Criativas Boca de Brasa’, que integram os três dias da programação cultural. Mais de 500 agentes culturais formados são aguardados nos circuitos, vindos dos polos do Pau da Lima, Centro, Cajazeiras, Valéria, Liberdade/São Caetano e Cidade Baixa. Hoje consolidado como política pública à favor da cultura nas periferias, o Boca de Brasa é também responsável por impulsionar as carreiras de nomes conhecidos, como a cantora Andrezza (vencedora do 23º Festival de Música Educadora FM); o multiartista ODILLON (primeiro rapper à vencer o prêmio de Melhor Intérprete Vocal no Festival de Música da Educadora FM) e Nega Fyah (escritora do livro "Fyah do Ódio ao Amor"). 

A 9ª edição do Movimento Boca de Brasa também marca o retorno de um de seus símbolos históricos. Em 2026, volta às ruas o caminhão-palco itinerante, inspirado no primeiro formato do Boca de Brasa, quando um trailer percorria diversos bairros da capital  levando arte e mobilização cultural às comunidades afastadas do Centro. O equipamento retorna como parte da programação, reafirmando a essência do programa em circular pela cidade, ocupar territórios e aproximar a produção artística do público.

Confira a agenda do Movimento Boca de Brasa 2026: dias 26, 27 e 28 de março

Para este ano a programação pretende trazer diferentes movimentos culturais que se forjam na periferia, como o slam, o ballroom, o pagodão e outras vertentes para além do ramo da música, provocando uma experiência completa de encontros, oficinas, shows e intervenções que conectam história, criatividade e oportunidades criadas pelas comunidades periféricas. 

O start oficial do Movimento Boca de Brasa está programado para a quinta-feira, 26, com Feira Elabore aquecendo a Feira de Economia Criativa, às 17h. Na sequência, a abertura do Movimento leva às multilinguagens à Escadaria da Barroquinha, fazendo um percurso pela Rua do Couro e pelo Pátio Iyá Nassô, seguido das apresentações institucionais da Fundação Gregório de Mattos (FGM) e da Prefeitura de Salvador. A noite segue com o show ‘destaque’ de Larissa Luz, o ‘Rock In Gil’, às 19h, homenageando o primeiro presidente da FGM, Gilberto Gil. Para encerrar o primeiro dia, acontece a ocupação artística ‘Côro Comeu’ no Café-Teatro Nilda Spencer; que comanda o ‘after’ do circuito ao longo dos três dias de programação.

Já na sexta-feira, 27, o público poderá aproveitar as visitas guiadas à exposição “Cultura 40 +: FGM por toda Salvador” e dois encontros do “Pod Potências” no Teatro Gregório de Mattos, a partir das 14h30, reunindo Larissa Luz, José Eduardo, Alberto Pitta, Nildinha Fonseca e diversas outras vozes da cena artístico-cultural. À noite, o “Desfile Performance: ÒKÙNKÙN - Boca, Corpo e Território” ganha as ruas junto ao Slam das Minas, Periferia do Futuro e May Rodrigues  às 18h30, enquanto ÀTTØØXXÁ apresenta seu show no Pátio Iyá Nassô, a partir das 20h30. 

No sábado, 28, o aulão “Mete Dança” vai ferver o Espaço Cultural da Barroquinha, a partir das 9h30, acompanhado pela oficina de grafite “Boquinha de Brasa”, às 10h. Durante a tarde, a Escola Criativa Boca de Brasa revela talentos para o mundo no Teatro Gregório de Mattos e no Espaço Cultural da Barroquinha, enquanto a exposição “Cultura 40 +” retorna para mais uma visitação guiada. Na sequência, o Café Teatro Nilda Spencer recebe o stand-up do ‘Clube Dazminina’ com participação de Magali Moraes, seguido pela ‘Batalha dos DJs’ B2B, Belle e Gabi da OXE direto do Pátio Iyá Nassô, às 19h. 

A 9ª edição do Movimento Boca de Brasa encerra em grande estilo com o show da rapper Duquesa, das 21h às 22h, no Pátio Iyá Nassô; seguido pelo “after” tradicional da Ocupação ‘Côro Comeu’, no Café-Teatro Nilda Spencer. 

‘Boca de Brasa’: quatro décadas de reinvenção e valorização das periferias

Criado em 1986 pela Fundação Gregório de Mattos, o Boca de Brasa nasceu como uma iniciativa itinerante, levando apresentações artísticas a bairros distantes do Centro e fortalecendo a presença da cultura nas periferias de Salvador. Coordenado por Bertrand Duarte e Walter Seixas Jr., o projeto foi suspenso em 2003 e relançado em 2013, quando se transformou em Espaço Cultural, com cinco unidades distribuídas por diferentes regiões da cidade.

Entre 2013 e 2017, o Boca de Brasa realizou 21 edições, contemplando 20 bairros e promovendo mais de 120 oficinas que beneficiaram cerca de 2,3 mil agentes culturais, envolvendo mais de 30 grupos e 260 artistas em apresentações para um público total superior a 42 mil pessoas.

Em 2017, o projeto passou por uma mudança de formato, sendo transformado em Espaços Culturais, com editais que contemplaram inicialmente três unidades geridas por organizações da sociedade civil — Pracatum (Candeal), JACA – Juventude Ativista de Cajazeiras (Cajazeiras) e Programa Avançar (Bairro da Paz) — e depois, em 2019, mais quatro espaços: Circo Picolino (Pituaçu), Associação Quabales (Nordeste de Amaralina), Casa do Sol (Cajazeiras) e MUNCAB (Centro).

A partir de 2018, a Prefeitura de Salvador passou a implantar Espaços Culturais Boca de Brasa em regiões estratégicas, incluindo o Subúrbio 360 (Vista Alegre) e o CEU de Valéria (Lagoa da Paixão), ambos desde 2018, além do Espaço Boca de Brasa Centro (Barroquinha, 2019) e do Espaço Boca de Brasa Cajazeiras (2020). Em 2022, a FGM firmou parceria com o SESI, criando o Boca de Brasa Cidade Baixa, no Centro Cultural Sesi Casa Branca (Itapagipe).

Demonstrando ainda mais a sua capacidade de articular territórios, o Movimento Boca de Brasa envolveu 9,4 mil pessoas nas atividades do ano passado (2025), incluindo 184 participantes nas ações formativas, 700 visitantes na exposição “Boca de Brasa em Movimento”, e mais de 160 artistas em apresentações, com o suporte de 225 técnicos, produtores e agentes culturais. A Feira de Economia Criativa reuniu 57 empreendedores e ambulantes, além de 45 lojistas da Rua do Couro, gerando uma receita estimada em R$ 35 mil, que reforça o impacto cultural e econômico do festival nas comunidades.

Para 2026, o Movimento retoma locais estratégicos da cidade e reafirma referências que atravessam as quatro décadas desde o primeiro circuito itinerante, em 1986. Único projeto da FGM em atividade desde aquele período, o Boca de Brasa atravessou diferentes fases, se reinventou ao longo do tempo e chega a esta edição ainda mais fortalecido, consolidado como política pública do município de Salvador e como plataforma permanente de valorização da cultura da periferia.


FGM completa 40 anos como articuladora da política cultural de Salvador

Criada em 19 de fevereiro de 1986, a Fundação Gregório de Mattos (FGM) é o órgão responsável por formular e executar a política cultural de Salvador. Vinculada à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, a instituição atua na promoção e organização das atividades artísticas da cidade, na preservação e valorização do patrimônio histórico e cultural, além de desenvolver estudos, programas e projetos voltados ao fortalecimento da identidade cultural soteropolitana.

Ao longo de quatro décadas, a FGM também consolidou sua atuação na gestão de museus, arquivos históricos e espaços culturais do município, bem como na realização de projetos editoriais e iniciativas de formação e fomento às artes.

A 9ª edição do Movimento Boca de Brasa é uma realização da Prefeitura de Salvador, Secretaria de Cultura e Turismo através da Fundação Gregório de Mattos (FGM), com apoio financeiro do Ministério do Turismo e do Governo Federal.

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